Arquivo de julho de 2011

Diário de um adorador II

sábado, 9 de julho de 2011

O Diário do Adorador II O 1o.capítulo foi na semana passada. Você pode lê-lo também se quiser. Nosso personagem é o levita Nabih…

TUDO ISSO TE DAREI…

O templo de Jerusalém era o orgulho dos judeus. Ele era o ponto máximo da religião judaica. Os sacrifícios e ofertas pelos pecados só podiam ser oferecidos alí! Com o reinado de Herodes, o grande, reformas estavam sendo feitas nele para ganhar mais suntuosidade…porém sem seguir as ordens dadas por Deus a Davi e cumpridas por seu filho Salomão! Este então, era o chamado 2o. templo, reconstruído, após sua destruição por Nabucodonozor, pelo trabalho de Zorobabel cinqüenta anos depois.

Nabih amava o agito do templo. Conhecia bem seus quatro grandes pórticos sendo os mais famosos: ao sul, o pórtico real, e ao leste o pórtico de Salomão. O pináculo, a parte mais alta estava na região sudoeste do templo acima do vale de Cedron. Ele tinha uma inscrição que dizia “para o local da trombeta “, onde a trombeta era tocada para anunciar o sábado ( shabat ) e outros dias santos… Já fazia dias desde o encontro no rio Jordão com aquele, aquele…”filho” de Deus?!! Assim disse aquela voz que ouvi´?? Não havia noticias recentes dele. Alguns especulavam que ele ficou mais uns dias no deserto após seu batismo. Outros achavam que tinha desaparecido. De repente vi duas pessoas no alto do pináculo…mas estavam bem no alto do pináculo; podiam cair de lá; nunca vi alguém subir acima do lugar da trombeta. As pessoas andavam e continuavam sua vida aqui no vale de Cedron, sem perceberem a presença dos dois. Oh,oh,oh!!! Um deles parecia o “filho” de Deus,…era ele sim! Eu tinha certeza que era ele, mesmo com o sol do dia me atrapalhando novamente. Ele parecia cansado, com areia nos cabelos…uma aparência de quem não comia ha dias, os olhos fundos…O outro homem também era diferente, mas parecia um anjo, forte, brilhante, com uma expressão atrativa, tentadora, vitoriosa! Fiquei inquieto. Será que só eu via isso? Por que as pessoas a minha volta não viam o que eu estava vendo? Seria uma alucinação?

Começaram uma conversa que mais parecia um desafio. O “anjo” estranho mostrava as pedras para o filho de Deus e falava em alta voz como com autoridade, me arrepiando: ” Se tu és o Filho de Deus , lança-te daqui abaixo, porque está escrito: Que aos teus anjos darás ordens a teu respeito; e tomar-te-ão nas mãos para que nunca tropeces em alguma pedra!” disse ele sarcástica mas vigorosamente . Espera um pouco, essa citação é de outro salmo do Tehillin!!! Como aquele anjo diferente estava citando o salmo e sugerindo para o filho de Deus se atirar de cima do pináculo? O filho de Deus decididamente gesticulou com segurança e respondeu:”Nem só de pão viverá o homem , mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Pensei: “como pode vir tudo isso da minha imaginação? Desde que encontrei esse homem no Jordão, coisas estranhas estão acontecendo…quem é ele? Embora cansado na aparência, sua presença sobrepujava toda aquela força do anjo; e a sua voz tinha autoridade, mas não me assustava!

Jeová, meu Senhor, o que está acontecendo comigo? De repente, os dois desapareceram! Eu estava no meu corpo, mas me vi como que correndo muito mais rápido que uma quadriga romana com quatro potentes cavalos,…como voando na estrada Jerusalém - Jericó, que tem quase 28 kms e de repente eu estava lá, em frente do grande monte de Jericó! De lá de cima seria possível ver ao longe o Mar Morto que estava há uns oito kms de Jericó, a cidade fragrante. Fiquei assustado! Estava só e um pouco tonto…será que esse caminho que era descendente levando a uns 280 metros abaixo do nível do mar estaria mexendo comigo? Ao longe vinha um homem com sua carroça e uma mula lentamente caminhando e recebendo chicotadas para tentarem animá-la a andar mais rápido… Que força era essa que me levou até lá? Para que? Então eu vi os dois novamente! Que loucura! Outra visão?!? O anjo olhava de cima abaixo e apontava regiões a norte, sul, leste e oeste para o filho de Deus e dizia” Tudo isso te darei se prostrado me adorares!” Prostrar-se ? Mas quem era esse anjo para que o filho de Deus se prostrasse diante dele?! Será que ele obedeceria? Seria este anjo um deus? Como assim um deus, se só existe um Deus verdadeiro, Jeová, o Senhor? Mas ele era tão forte e cativante…pareceu mais próximo, cheio de luz, provocava uma atração inexplicável…disse então, o filho de Deus:”Vai-te inimigo, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele darás culto!”

Ei!! O filho de Deus usou a palavra Satan; a mesma que é usada no livro das crônicas quando Satan tentou Davi a fazer um censo do povo de Israel e foi castigado por Jeová por não confiar nEle!”Tudo isso te darei, Nabih, tudo isso te darei Nabih…Nabih você é meu! Você sempre quis ser reconhecido, famoso entre os levitas, maior entre os maiores, o melhor harpista, o melhor cantor, com roupas sacerdotais de ouro, desejado entre as mulheres…Nabih, você é meu! Você sempre quis ter Miriam…eu posso dá-la a você! Você quer ouro das ofertas do templo? Quer ganhar mais do que o dízimo das ofertas de animais trazidos todos os dias? Claro que sim! Você merece mais, muito mais…Tenho muito mais para você! Você não precisa ser fiel a Jeová…ele é Deus distante, só quer seus sacrifícios, quer sua obediência! Eu posso te dar muito mais do que tudo isso! Basta você, basta você…Nabih, adore-me e eu te darei tudo isso Nabih! Não só Miriam, mas muitas mulheres, você é jovem, você as quer, não é? Eu posso faze-las virem até você…imagine alguém,…isso! Pense em estar com ela, levá-la para sua casa, na intimidade, só vocês dois, ninguém vai ver, Jeová não vai se importar! Ele é muito ocupado, não se preocupa com você, só quer seus sacrifícios e cânticos sabáticos… isso é muito pouco Nabih! Nabih! Nabih! Você é meu ! Meu! Meu!” Caí no chão, sentí minha garganta sufocar como se alguém estivesse com garras sobre mim…o ar começou a faltar, o medo tomou conta da minha mente completamente…como ele fala assim como se me conhecesse há muito tempo??? Jeová me salva!! Vou morrer! Por favor… que risada é essa, o que está acontecendo?!?! Socooorrrroooo!

continua

@gersonortega  gjortega@uol.com.br

Diario de um adorador

sábado, 2 de julho de 2011

Diário de um adorador I

Nesta nova série que estou me propondo a escrever, pretendo colocar, através de histórias bíblicas com pesquisa histórica da época, mixadas a histórias de ficção…ou de verdade, princípios da vida de adoração. O adorador que viverá as tramas, é um personagem criado, fictício, portanto, me dou o direito de colocar nomes, lugares, épocas de forma fictícia, onde o principal é o conceito que quero deixar, ok? Se houver alguma similaridade (a não ser as histórias bíblicas usadas como base) com algum acontecimento, pode crer que é coincidência… Ah! Uma mesma história pode ou não acabar no mesmo post, tá? Espero que você curta…

A IDENTIDADE DO MESTRE

“Após vê-lo entrar na água, da mesma forma que havia visto vários outros antes, senti algo diferente: ele não parecia humano, embora estivesse alí molhado também, esperando sua vez de ser imerso. Tinha uma atitude definida, uma presença envolvente, um olhar marcante que parecia entrar e sair de você com força e doçura ao mesmo tempo…”                                                                                    Meu nome é Nabih , filho de Izhar. Sou da tribo de Levi, portanto a herança da minha tribo nunca foram terras ou dinheiro, mas o próprio Jeová. Meu pai tinha orgulho e tradição porque, dentre a descendência de Moisés, vinda de Gerson e Eliezer, ele tinha o mesmo nome e era descendente de Izhar que gerou filhos chefes da tribo levita muito tempo atrás. Os levitas guardavam o templo e tinham suas funções de ministério criadas debaixo da ordem do grande rei Davi.                                                                                                             Eu fui treinado para servir tocando a harpa na sinagoga, no Shabat, quando a Torah é lida e salmos são cantados, ou no templo em grandes comemorações. Sempre cantei sobre o Messias que haveria de vir, principalmente nos salmos, mas nunca pude imaginá-lo. Sempre cumpri minhas escalas na sinagoga, fazendo o meu melhor com meu instrumento. O rabi sempre me elogiava ao final do Shabat… mas, quem será esse Messias sobre quem canto? Não há sentido em se cantar sem se entender o que se canta. Eu estava em Betânia, de onde parti para procurar João, o Batista, pois ouvi dizer que ele poderia ser Elias, ou o próprio Messias!!!??? Não sei… assim me diziam. Me orientaram a andar uns três a quatro kms na estrada que levava em direção ao Jordão e chegar até as margens do rio, pois ali, ele pregava e batizava todos os que recebiam sua palavra. Me disseram que muita gente chegava alí de muitas partes de Israel, e choravam, e berravam, clamavam por misericórdia, por perdão… alguns caíam no chão, rasgavam suas vestes e pediam ajuda. João era uma figura muito forte, jovem, aparentando mais idade por sua pele queimada com barba e longos cabelos, surrados pelo sol e vento; uma figura sem casa nem família, ele vivia no deserto, embora tivesse discípulos que o seguiam. Foi criado ali mesmo pelos essênios, uma tribo nômade, após a morte de seus pais avançados em idade. Tinha uma voz rouca mas profunda e dominante. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”, disse a voz de trovão na direção daquele homem diferente; e todos olharam para ele. Eu via, sentia, mas não entendia: “o que João quer dizer com isso?”. Quando o homem chegou perto de João, este agiu estranhamente; parecia não querer batizá-lo. “Por que não?”, fiquei me perguntando. Ele parece tão bom, tão especial, tão, tão… diferente. Ouvi algumas pessoas comentando em voz baixa: “este não é filho do carpinteiro José, filho de Jacó, filho de Matan, da família de Davi, de Belém e não é Maria sua mãe? E não vive ele em Nazaré, do outro lado do rio?” Fiquei observando de longe… conversaram e, finalmente, João pareceu ter aceitado algo que aquele homem diferente lhe disse e o batizou. Quando ele saiu da água, vi no céu uma luz e brilho que quase me cegavam; todos ficaram assustados e como que paralisados com aquele brilho que não era do sol. Tentei olhar para eles e enxergá-los quando vi um pássaro, uma pomba vindo sobre ele! Pensei: “de onde apareceu essa pomba?”

Ele levantou suas mãos para o céu como agradecendo, ou recebendo, não sei bem; em seguida, ouviu-se uma voz como um relâmpago, ou um trovão. Mas, o céu estava tão azul!

A voz dizia: “Este é meu Filho Amado em quem tenho prazer!” “Filho? De quem?” pensei. Uma voz doce mas segura, trazia a minha memória a lembrança da leitura do profeta Isaías na sinagoga: “Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho, meu Eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre Ele…” Incrível! E depois a lembrança do cântico do salmo: “Recitarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me e te darei as nações por herança.”

Poderia ser ele o Messias? O Filho de Deus? Andando de volta para Betânia, não conseguia parar de pensar em Isaías e cantar o decreto daquele salmo messiânico: “Tu és meu Filho, tu és meu Filho… me alegro em tí, me alegro em tí”. E assim foi até enxergar ao longe as luzes de Betânia. Que dia…

Mal sabia eu que coisas incríveis e assustadoras estavam por vir, a partir daquele encontro estranho, mas memorável!

continua …

@gersonortega gjortega@uol.com